|
03/08/07 - Mapeando o Caminho da Fé
A Renata Falzoni foi a primeira pessoa que me
falou do Caminho da Fé. Ela fez uma reportagem que
não assisti, mas disseram que ficou muito boa.
Foi somente quando o André Fehlauer me
contou de sua viagem pelo Caminho, que fiquei com vontade
de mapear. Acho que o fascínio de suas experiências
e a alegria com que narrava os acontecimentos foram minha
grande empolgação. Eu estava justamente saindo
para fazer os levantamentos do guia da Mantiqueira e já
tinha bem certo que meu segundo guia seria sobre o Caminho
da Fé.
André me disse que as pessoas pedem uma
Credencial em qualquer cidade do Caminho da Fé e vão
carimbando pelo percurso em cada pousada que passam até
chegar a Aparecida onde podem pedir um certificado.
Já faz um mês que estou mapeando
o Caminho. Vim com muitas expectativas, mas acabei percebendo
que o Caminho estava muito além delas.
Em abril 2007 houve algumas alterações
e o trajeto ficou um pouco maior (quase de 500 km), além
do que, surgiram duas opções para o início,
uma em Descalvado e outra em Mococa.
Claro, nas primeiras cidades do percurso, o
Caminho ainda não faz tanto parte do dia a dia das
pessoas como já faz em outras cidades que pertencem
ao Caminho desde seu início.
De toda a forma, já nas primeiras pedaladas,
pude perceber o esmero com que tanta gente trabalhou para
escolher e marcar todos aqueles belos caminhos.
Como vivo em um motor-home tenho sempre que
fazer o caminho duas vezes, ou seja, ir e voltar para minha
casa ambulante. Para voltar, acabo sempre optando por outro
caminho e aí percebo o quanto foi bem escolhida a rota
do Caminho da Fé.
Mesmo em regiões complicadas, com cidades
de médio porte e entediantes plantações
de cana, o caminho passa por lugares agradáveis fugindo
até mesmo das tantas rodovias que existem na região
(não completamente).
A par da beleza das paisagens o que mais gosto
é o convívio com as pessoas do interior com
sua simplicidade cativante.
Meu amigo Walter tinha acabado de fazer parte
do Caminho e me deu a dica de visitar uma das pousadas para
conhecer Dona Cidinha.
- Olinto, você tem que visitar a pousada
da Dona Cidinha. Disse ele.
Bem, o Caminho da Fé já recebeu
milhares de peregrinos, por isso eu duvidava que algum dono
de pousada pudesse ser assim tão especial. Geralmente
as pessoas se acostumam com tantas pessoas passando e logo
tratam todo mundo de uma forma corriqueira.
Mas, como era o Walter, um amigo e um cicloturista,
tinha que verificar.
A pousada fica no alto de um morro com estrada
íngreme e pedregosa. Quando cheguei no topo, ainda
fiz um lanche bem tranqüilo apreciando o belo visual,
depois cheguei na casa para uma visita.
A pousada nada mais é que um sítio
de interior um pouco melhorado para receber alguns peregrinos.
Primeiro vi o marido e um outro peregrino que
após fazer o Caminho a pé, veio de carro trazer
a família para conhecer.
Logo chamaram a Dona Cidinha, pois havia chegado
mais um peregrino.
Já comecei a ver que algo nesta pousada era diferente.
Dona Cidinha parou o que fazia e veio em minha
direção. Sua primeira atitude foi me abraçar.
E não foi um abraço comum, foi um abraço
sincero e me senti abraçado mesmo. Como se fosse por
um amigo de longa data.
Neste momento já tive a certeza que ela
era uma pessoa pra lá de especial. Realmente fiquei
emocionado em conhecê-la e quando saí eu já
tinha o olho cheio de água, por suas lições
de simplicidade, humildade e carinho com todos os peregrinos.
Espero que ela continue sempre assim...
Finalmente, tenho que mencionar a coisa mais
especial do caminho que o torna tão interessante e
faz dele o verdadeiro Caminho de Santiago do Brasil. Acho
que o mais importante é a figura do peregrino, as pessoas
que vem para fazer o caminho e que trazem consigo a melhor
das lições, o desejo de viver o caminho e aprender
com os obstáculos de cada dia, o convívio com
estas pessoas me anima muito e me faz seguir em frente com
muito mais força e um sorriso no rosto.
Venha para o Caminho da Fé!
ANTIGAS:
19/06/07 - Curitiba
- Terminando de editar o Guia de Cicloturismo - Mantiqueira

Igreja em Descalvado

Casa Branca

Mococa

Já vi vários pelo caminho.

Secando Café

Entardecer frio em São Roque da Fartura.

A Fé.

O Caminho.

O Peregrino.

Mesa farta na casa de Dona Cidinha.
|