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PELA ANTIGA SOROCABANA
A escolha do trajeto visa satisfazer aqueles
que desejam viajar de bicicleta e podem dedicar algumas horas por
semana na preparação física para pequenas viagens
de final de semana.
Como características básicas
temos: longas distancias (50 a 70 km ao dia); baixo grau de dificuldade
técnica; trajetos com relevo acidentado; muitos pontos de
interesse Histórico - Volta ao Mundo e ecológico pelo
caminho. Não é necessário grande potência
física mas a resistência é fundamental.
O trajeto é preparado para aqueles que
querem conhecer locais pouco explorados turisticamente, fazem questão
de um contato maior com a natureza, querem pagar pouco para isto
e não se importam muito com o luxo ou conforto (sempre com
alternativas de acampamento).
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Porque não começar em Ipaussu-SP.
Nosso circuito começa na pequena cidade de
Ipaussu (na língua indígena Ilha Grande) a 350 km
a sudoeste de São Paulo com pouco mais de 11 mil habitantes
(A empresa de ônibus que serve a região é Manoel
Rodrigues está no terminal Barra Funda (em SP tel 826-5003
e em Ipaussu tel. (14) 3344-1610 possui vários horários
por dia sendo que ônibus direto são SP IP. 08:30, 16:00
e 19:15h – IP SP 07:30 e 1530 h). Em dois dias de viagem num
trajeto de 114 km percorremos um pouco da história e das
belezas naturais desta região tão inexplorada turisticamente.
O ponto de partida é a estrada vicinal rumo
a Bernardino de Campos (o odômetro deve ser zerado no trevo,
antes de cruzar a SP 255 que vai para Santa Cruz do Rio Pardo).
Após apenas 7,06 km de pedaladas pela estrada
que corre ao lado da ferrovia “Sorocabana” (trecho inaugurado
em 1.909), chegamos à fazenda Palmeiras, primeira atração
do trajeto.
Esta antiga fazenda cafeeira possui uma entrada bucólica
onde um corredor de palmeiras passa ao lado do belo casarão
da sede e desemboca em uma capela. A importância desta propriedade
na época de glória do café pode ser percebida
pelas proporções das construções. O
terreirão (local destinado a secagem do café), construído
em 1925, estende-se por uma área de 30.000 m2 e possui trilhos
para que pequenos vagões carregados com o produto circulassem
até o alto dos galpões para então ser ensacado
e transportado ao porto de Santos através da “Sorocabana”
que até hoje faz parada na fazenda. (esta fazenda poderá
ser utilizada como ponto de partida alternativo para os paulistanos
que desejam chegar à região por via férrea).
A capela (inaugurada em 1.950) possui vitrais coloridos
e torres de iluminação com anjos esculpidos.
Em frente a ela, está o antigo cinema. Inaugurado
em 1.951 ele possui até descaída. O Sr. Aníbal
Souza, antigo morador da fazenda conta que o prédio foi feito
pelo Sr. Elizeu Teixeira de Camargo, um dos ex-donos da propriedade
que trazia para às pessoas da região sempre os últimos
lançamentos já que era proprietário também
do antigo Cine República, na capital. Se sobrar um pouco
de tempo, o cicloturista pode fazer uma volta por trás do
terreirão e visitar o estábulo e também um
antigo posto de gasolina da fazenda.
Infelizmente o café foi substituído
pela cana de açúcar em toda região, obrigando
às pessoas a abandonar o campo e buscar trabalho nas cidades.
Voltando a estrada zeramos nossos odômetros
e mantemos a pedalada suavemente inclinada até a cidade de
Bernardino de Campos (km 8.8 da planilha), última chance
para comprar o almoço e abastecer.
A partir de Bernardino é só descida
até a ponte (km 24.15 da planilha) quando sofremos com umas
das partes mais duras do dia.
Após uma placa escrito “Bairro do Cágado”
(km 29.6 da planilha), tomamos uma estrada de terra à direita
e saímos do conforto deste asfalto que é uma verdadeira
ciclovia perdida no interior do país para entrar no único
trecho de terra do dia (total 12.89 km em terra).
O desvio não é a toa, pois buscamos
a Cachoeira do Palmital perto da sede do sítio que tem o
mesmo nome.
Fora da vista da estrada, esta formação
é pouco conhecida, mas seus 50 metros de queda livre lhe
conferem grande beleza. Este é um local favorável
para uma parada de almoço. Quem já estiver cansado
e decidir não realizar todo o percurso, pode passar a noite
alí mesmo. Há espaço para mais de 50 pessoas
fazerem camping selvagem e gratuito, claro que com a autorização
dos simpáticos donos, amantes de aventura Sr. Valdo ou o
Sr. Toninho.
De volta ao último cruzamento de baixo da
placa do sítio, zeramos os odômetros e continuamos
por mais 9.64 km de estrada de terra até o cruzeiro já
na cidade de Timburi (nome de uma árvore outrora abundante
do local). Quem desejar um pouco mais de conforto, poderá
dormir na cidade (buscar uma das poucas acomodações
do Village People (014-389-1136) - um tipo de pousada com quartos
de Rs$ 20,00).
Os amantes da natureza poderão pedalar mais
11.4 Km de pura descida e acampar de graça às margens
da represa de Chavantes numa área chamada “Redondo”
(camping municipal) encerrando o dia de pedalada (1.955 kcal gastas
na pedalada em um dia de muito vento contra). Quem optar por este
trajeto poderá apreciar uma bela vista da represa e também
as formações rochosas a direita da pista pertencentes
a fazenda Himalaia (o circuito é uma das formas mais racionais
de conhecer a região, entretanto, aqueles que gostam de montain
bike poderão voltar um dia para explorar esta fazenda que
é belíssima)
O segundo dia começa com o odômetro
zerado junto ao cruzeiro, depois, circunda-mos a igreja matriz.
Ela foi construída em 1.941 toda em arenito e com belas peças
entalhadas em pedra em seu interior. (os campistas terão
uma boa subida no começo do dia que terá o total de
66 km)
O Sr. Leodoro e o Sr. Nilson proprietários do Village People
poderão fazer a travessia de barco através das várias
ilhas da represa até um local chamado “Cachoeira”
no município de Ribeirão Claro – Pr (é
muito importante agendar por telefone o quanto antes esta travessia).
O ponto para travessia é na fazenda Catão
a 10.98 km do cruzeiro (9.6 km de terra), num caminho lindíssimo
através da fazenda Domiciana. Os que estiverem atentos a
paisagem do caminho poderão ver uma bela igrejinha (entrada
na porteira a direita km 3.9 da planilha) edificada no topo de um
morro no meio de um vale, parece uma jóia colocada em um
expositor. Ela foi construída em 1932 por Euclides de Moura
Fonseca cunhado do ex-presidente Wenceslal Braz. Além disto,
a fazenda possui 400 alqueires de Mata Atlântica, É
Isto mesmo! Tão longe da Serra do Mar, a Mata Atlântica
daqui ainda está bem conservada e sem a poluição
de Cubatão. No trajeto km 6.5 da planilha, do lado esquerdo
da estrada há uma distância de 200 metros em meio a
mata, está uma figueira considerada como a maior do estado
(24 metros de circunferência da base e por volta de 30 metros
de altura).
Na fazenda Catão pegamos a lancha que nos leva por meio das
belas ilhas, chegando finalmente ao Paraná e descobrimos
que a represa acabou com a cachoeira que deu o nome ao local.
De volta ao pedal, muita subida numa simpática
estradinha de terra com estranhas formações parecidas
com torres que surgem aqui e alí no meio da paisagem. Logo
chegamos a Ribeirão Claro, bom lugar para a parada de almoço
(a estrada Cachoeira - Ribeirão Claro esta em obras e até
o final do ano já estará asfaltada).
Após o descanso, tomamos o rumo de Chavantes
(não se sabe se o nome da cidade é oriundo da tribo
indígena ainda escrita de forma arcaica “ch”
e não “x” ou de uma contração de
um jargão do tempo da ferrovia “uma chave antes de
Ipaussu”).
Em meio a curvas, subidas e descidas, o asfalto nos
leva ao lado de mais uma bela cachoeira (km 11.4 da planilha). Uma
ou duas barracas poderiam ser colocadas neste local.
No km 13.8 da planilha, cruzamos novamente o rio
Paranapanema desta vez pela ponte Alves de Lima.
Inaugurada em 1.921, esta ponte pênsil é
tombada pelo COMDPHAAT – SP desde 1.985, após ser reconstruída.
Além de ser uma bela obra de engenharia já foi uma
das mais importantes ligações de São Paulo
com o sul do país e possui uma história repleta de
aventuras.
Em 1.924 foi destruída na revolução
tenentista. Em 1.932 novamente veio abaixo na revolução
Constitucionalista e finalmente em 1.983, uma forte enchente levou
praticamente toda sua estrutura.
O asfalto continua bom e subindo até Chavantes,
de onde pedalamos mais 8.09 Km de estrada de terra em meio aos canaviais
até Ipaussu para desviar da rodovia Raposo Tavares (2.293,9
kcal gastas durante a pedalada). É bom manter a atenção
na planilha já que há muitos desvios no canavial e
se estiver chovendo a terra rocha da região pode causar uma
bom atraso. (a terra rocha vem do italiano rossa = vermelha)
Ao lado da “Sorocabana” começamos
e junto a ela terminamos nosso circulo. Só nos resta as lembranças
do passeio por uma bela região desconhecida até pelos
aventureiros.
No intercâmbio com as pessoas do local que só o cicloturismo
pode proporcionar, cheguei a ouvir frases como a de um menino a
cavalo pela estrada:
- Ei... Você fala minha língua?
E nas dificuldades de cada pedalada morro acima,
lições profundas como as contidas na placa escrita
pelos jovens de Chavantes afixada junto a ponte Alves de Lima.
“Em 1.924 e 1.932, revoluções
armadas destruíram esta ponte, em 1.983 uma grande enchente
novamente a destruiu.
Toda vez que um mal destruir um bem ele será
reconstruído, para que não morra no coração
dos homens a esperança”
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